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11 de setembro a 2 de outubro de 2004

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AQUARELA #47

A HORA DO PESADELO
O mundo virtual é maravilhoso, até que descobrimos o quanto custa se manter nele

por Ana Lira (analira@rabisco.com.br)

oje pela manhã, eu estava lendo as principais notícias da madrugada, quando cheguei até uma nota na IDG Now! que dizia ser de até 34% o número de spams que furam os bloqueios anti-spam dos servidores e chegam até o usuário. Logo depois, eu abri a Super Interessante e havia uma matéria sobre spams, comentando alguns dos truques utilizados pelos spammers e finalizando com a afirmação de que 50% do que recebemos em nossa caixa postal é lixo virtual. Essa é uma notícia tenebrosa, uma vez que manter uma conta de e-mail tornou-se um ritual de limpeza.

Chega a ser angustiante abrir a caixa postal eletrônica. Se eu deixar de checar um dia sequer, mais de 80 mensagens indesejadas aparecem e o processo de limpeza toma tanto tempo que desestimula a leitura dos demais. Há dias em que o cansaço é tão grande, que as mensagens conhecidas ficam para o dia seguinte. Uma amiga comentou, um mês desses, que estava cancelando a conta dela em um provedor porque não suportava mais receber tanto spam e as conseqüências trazidas por eles - mesmo pagando serviço anti-spam extra.

Pensei em mim e comecei questionar o quão esquisita é essa relação custo – benefício, quando a necessidade de ter um serviço fixo de web bate a nossa porta, com bastante fervor. Se fizermos um balanço, além da manutenção do computador, pagamos o acesso à Internet (que é caríssimo), uma taxa para ler o conteúdo de alguns portais, mais um pouco para ter acesso a uma caixa postal maior, outra quantia para proteger a caixa contra spam, mais outro golpe no bolso para ter um antivírus decente, sem contar o gasto com firewall, spyware, entre outros itens.

Se continuar assim, usar a Internet vai se tornar inviável. Não há ser humano que tenha dinheiro para viver renovando assinatura de antivírus, comprar upgrade de todos os programas, pagar aumento dos provedores, portais e serviços extras. Sem contar a possibilidade de ter que trocar de provedor, todas as vezes que a empresa a quem nós confiamos a segurança de nossas caixas postais virtuais e a saúde dos nossos dedos – que não agüentam mais deletar os indesejáveis e-mails – perdem a capacidade de controlar esse fluxo, e cobram mais dinheiro por aquela super proteção que você deveria ter, automaticamente, pelo fato assinar contrato com ela.

Ligar o computador é carregar junto com o sistema operacional mais uma neurose; é rezar para que seu antivírus esteja apto a capturar os trojans, bloods e demais nomenclaturas estranhas criadas nas empresas de proteção; é pedir aos santos que os hackers estejam visitando outra vizinhança e não resolvam testar suas novas ferramentas no firewall que te custou tão caro; e acender velas para que não descubram nenhuma falha nova no sistema operacional, que faça os engraçadinhos te enviarem pop up contaminado quando você abrir o navegador.

Outro dia, conversando com o Marcelo Xavier, o guri da coluna aqui de baixo, nós concordamos que era desgastante ficar na frente do computador, todos os dias, manuseando mil programas diferentes, para garantir que as máquinas funcionem adequadamente. Quando existem muitas pautas a cumprir e o uso do pc e da Internet são cruciais, esses fatores contam muito. Hoje, eu gastei uma hora e meia para atualizar os arquivos, verificar a existência de vírus e spyware no computador e checar se o Windows não ia ruir com alguma possível invasão não detectada pelo firewall.

É uma perda de tempo considerável. Quem sai de casa logo que o dia começa e chega quando a noite avança para a madrugada, sabe que gastamos muito e temos pouca compensação dos serviços que recebemos. Eu vejo as empresas divulgando produtos mirabolantes, fazendo parcerias com lojas de informática, vendendo suas marcas, e os usuários nunca estão plenamente satisfeitos, porque gastam demais e continuam tendo dor de cabeça.

Será que alguém vai conseguir oferecer um leque amplo de serviços, com muita qualidade, por um preço acessível para a população da web? Se existir um grupo empresarial assim, certamente, é quem vai conseguir agregar usuários como eu, que anda fazendo as contas para ver se é válido continuar com um provedor que cobra por um serviço de proteção extra e deixa 80 spams entrarem nas minhas caixas postais.