| CADERNO ZERO #5
VOCÊ ENTENDEU?
35º Copa São Paulo de
Futebol Júnior é marcada pelo “inchaço”
de clubes e um regulamento totalmente esdrúxulo
por Rodrigo Herrero (rodrigo@rabisco.com.br)
omeçou
no início deste mês a Copa São Paulo de Futebol
Júnior, cujo regulamento é um verdadeiro primor às
sandices do futebol brasileiro e que tentarei destrinchar e explicar
a todos. Organizado pela Federação Paulista de Futebol
(FPF), o torneio conta nesta 35º edição com 80
clubes, divididos em 20 grupos de quatro equipes cada. Classificam-se
apenas os campeões de cada chave para a próxima fase,
que será no sistema de mata-mata, assim como as etapas subsequentes.
A segunda fase será disputada pelos 20 melhores times da
etapa inicial, classificando dez para a terceira. Até aí
tudo bem. Só que a partir deste ponto surge um problema matemático.
Como temos 10 clubes na terceira fase, a quarta, como já
dito, também disputada mata-mata, insta as cinco agremiações
vencedoras, fixando um número ímpar de equipes, impossibilitando
prosseguir a competição numa forma comum. A “fantástica”
solução proposta pela Federação foi
a de incluir um dos cinco perdedores da terceira, escolhendo o time
de melhor índice técnico até então.
E assim partimos para a quinta fase. Esta será disputada
pelos ganhadores dos três embates da etapa anterior, o que
gera novamente um número ímpar, só que agora
de 3 agremiações, transformando a cabeça do
torcedor num verdadeiro trevo a essa altura do campeonato. A solução,
mais uma vez, foi de dar uma nova vaga ao melhor do índice
técnico do torneio, dentre os três perdedores da etapa
anterior. Isso perfaz um total de quatro clubes que disputarão
a quinta fase, mais conhecida como semifinal. Após todo este
imbróglio, a normalidade volta, com os vencedores dos dois
jogos digladiando-se na finalíssima, ou, como a FPF intitulou,
sexta fase.
Confuso? Totalmente. Para ser sincero, até
agora nem eu consegui entender o regulamento de todo. Por isso mesmo,
caso o leitor queira tirar a prova para não pensar ser gozação
do colunista, acesse o “fabuloso” regulamento da “Copinha”
no site
da Federação para lê-lo repetidas vezes
e tentar compreendê-lo. A cada ano nossos dirigentes –
que vivem intitulando o futebol paulista como o “mais organizado
do Brasil” – se esforçam para estragar um torneio
que há muito perdeu apelo considerável do público
e da tevê aberta. Tudo por causa do inchaço desqualificado
de clubes – muitos desconhecidos, outros de empresários,
como o Roma de Barueri que ganhou a Copa em 2001 e depois teve sua
equipe desfeita. A Copa São Paulo é relegada a uma
simples competição que vez por outra ainda revela
alguma equipe ou jogador.
Isso acontece também pelo fato das revelações
“estourarem” primeiro no plantel dos profissionais,
“descendo” às categorias de base no ano posterior
para “fortalecer” os juniores na disputa da Copa. Os
casos do São Paulo e do Corinthians são emblemáticos.
No São Paulo foram “rebaixados” o zagueiro Edcarlos,
os laterais Tiago e Fábio Santos, os meias Marco Antônio
e Aílton e o atacante Diego Tardelli, sendo que todos entraram
em campo na temporada passada pela camisa tricolor. Já no
Corinthians, o lateral esquerdo Vinícius (também conhecido
como Fininho), o volante Wendel e os atacantes Jô, Bobô
e Abuda, que foram colocados na “fogueira” do Timão
em 2003, retornam para os juniores.
Certamente, esse sobe e desce tem influência do mercado europeu,
que leva muitos de nossos craques, desfalcando as agremiações,
que recorrem às divisões inferiores para completar
o elenco com jogadores jovens e algumas vezes despreparados para
encarar esse desafio. Como exemplo, o Corinthians no Campeonato
Brasileiro assistiu seus principais atletas partirem para o exterior,
sendo obrigado a jogar na cova dos leões diversos garotos
de 17, 18 anos para suprir as necessidades da equipe, porém,
sem sucesso, pois eles sentiram a pressão da diretoria e
principalmente da torcida alvinegra.
Todos esses problemas, aliados aos absurdos cometidos pela FPF
– como no Paulistão deste ano, que terá 21 clubes,
sendo dividido em dois grupos, um com 10 e outro com 11, deixando
este último capenga – refletem bem a desorganização
de nosso futebol. Traz à tona também a questão
do apadrinhamento de equipes no Estado, aumentando o número
de clubes aqui e ali para contentar a todos os dirigentes e empresários,
esquecendo do torcedor paulista, que deveria ser a peça mais
importante deste hoje complicado quebra-cabeça denominado
Copa São Paulo de Futebol Júnior.
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