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12 a 25 de janeiro de 2004



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CADERNO ZERO #5

VOCÊ ENTENDEU?
35º Copa São Paulo de Futebol Júnior é marcada pelo “inchaço” de clubes e um regulamento totalmente esdrúxulo

por Rodrigo Herrero (rodrigo@rabisco.com.br)

omeçou no início deste mês a Copa São Paulo de Futebol Júnior, cujo regulamento é um verdadeiro primor às sandices do futebol brasileiro e que tentarei destrinchar e explicar a todos. Organizado pela Federação Paulista de Futebol (FPF), o torneio conta nesta 35º edição com 80 clubes, divididos em 20 grupos de quatro equipes cada. Classificam-se apenas os campeões de cada chave para a próxima fase, que será no sistema de mata-mata, assim como as etapas subsequentes.

A segunda fase será disputada pelos 20 melhores times da etapa inicial, classificando dez para a terceira. Até aí tudo bem. Só que a partir deste ponto surge um problema matemático. Como temos 10 clubes na terceira fase, a quarta, como já dito, também disputada mata-mata, insta as cinco agremiações vencedoras, fixando um número ímpar de equipes, impossibilitando prosseguir a competição numa forma comum. A “fantástica” solução proposta pela Federação foi a de incluir um dos cinco perdedores da terceira, escolhendo o time de melhor índice técnico até então.

E assim partimos para a quinta fase. Esta será disputada pelos ganhadores dos três embates da etapa anterior, o que gera novamente um número ímpar, só que agora de 3 agremiações, transformando a cabeça do torcedor num verdadeiro trevo a essa altura do campeonato. A solução, mais uma vez, foi de dar uma nova vaga ao melhor do índice técnico do torneio, dentre os três perdedores da etapa anterior. Isso perfaz um total de quatro clubes que disputarão a quinta fase, mais conhecida como semifinal. Após todo este imbróglio, a normalidade volta, com os vencedores dos dois jogos digladiando-se na finalíssima, ou, como a FPF intitulou, sexta fase.

Confuso? Totalmente. Para ser sincero, até agora nem eu consegui entender o regulamento de todo. Por isso mesmo, caso o leitor queira tirar a prova para não pensar ser gozação do colunista, acesse o “fabuloso” regulamento da “Copinha” no site da Federação para lê-lo repetidas vezes e tentar compreendê-lo. A cada ano nossos dirigentes – que vivem intitulando o futebol paulista como o “mais organizado do Brasil” – se esforçam para estragar um torneio que há muito perdeu apelo considerável do público e da tevê aberta. Tudo por causa do inchaço desqualificado de clubes – muitos desconhecidos, outros de empresários, como o Roma de Barueri que ganhou a Copa em 2001 e depois teve sua equipe desfeita. A Copa São Paulo é relegada a uma simples competição que vez por outra ainda revela alguma equipe ou jogador.

Isso acontece também pelo fato das revelações “estourarem” primeiro no plantel dos profissionais, “descendo” às categorias de base no ano posterior para “fortalecer” os juniores na disputa da Copa. Os casos do São Paulo e do Corinthians são emblemáticos. No São Paulo foram “rebaixados” o zagueiro Edcarlos, os laterais Tiago e Fábio Santos, os meias Marco Antônio e Aílton e o atacante Diego Tardelli, sendo que todos entraram em campo na temporada passada pela camisa tricolor. Já no Corinthians, o lateral esquerdo Vinícius (também conhecido como Fininho), o volante Wendel e os atacantes Jô, Bobô e Abuda, que foram colocados na “fogueira” do Timão em 2003, retornam para os juniores.

Certamente, esse sobe e desce tem influência do mercado europeu, que leva muitos de nossos craques, desfalcando as agremiações, que recorrem às divisões inferiores para completar o elenco com jogadores jovens e algumas vezes despreparados para encarar esse desafio. Como exemplo, o Corinthians no Campeonato Brasileiro assistiu seus principais atletas partirem para o exterior, sendo obrigado a jogar na cova dos leões diversos garotos de 17, 18 anos para suprir as necessidades da equipe, porém, sem sucesso, pois eles sentiram a pressão da diretoria e principalmente da torcida alvinegra.

Todos esses problemas, aliados aos absurdos cometidos pela FPF – como no Paulistão deste ano, que terá 21 clubes, sendo dividido em dois grupos, um com 10 e outro com 11, deixando este último capenga – refletem bem a desorganização de nosso futebol. Traz à tona também a questão do apadrinhamento de equipes no Estado, aumentando o número de clubes aqui e ali para contentar a todos os dirigentes e empresários, esquecendo do torcedor paulista, que deveria ser a peça mais importante deste hoje complicado quebra-cabeça denominado Copa São Paulo de Futebol Júnior.