| CADERNO ZERO #29
2006 PROMETE
Vida e músicas de Renato Russo ganham versões para o cinema
por Rodrigo Herrero (rodrigo@rabisco.com.br)
inalmente o cantor e compositor Renato Russo, morto em 1996, será tema de uma produção cinematográfica. Depois do sucesso de Cazuza – O Tempo Não Pára , em que a vida e carreira do roqueiro carioca foi destrinchada, chega a vez do trovador solitário, líder da Legião Urbana, uma das bandas brasileiras de pop rock mais cultuadas pelo público e pela crítica do país nos anos 80 e 90.
Russo, que sempre amou o cinema, vai ter parte de sua biografia colocada nas telonas a partir de 2006. Segundo reportagem da Folha de São Paulo , o trabalho mais adiantado é Religião Urbana , do cineasta Antonio Carlos da Fontoura, 66. Ele já concluiu o roteiro, em parceria com o produtor musical Luiz Fernando Borges, um dos melhores amigos do legionário e considerado pela banda como o quarto integrante, dada a sua ligação com os músicos.
A película irá focar o pré-adulto Renato Manfredini Junior, ainda professor de inglês em Brasília, partindo de sua formação musical punk , aos 17 anos, e da criação de sua primeira banda, o Aborto Elétrico, até sua primeira apresentação no Circo Voador (RJ) em 1983, já como vocal da Legião Urbana, aos 23. Mesmo nesse período de descobrimento, a idéia dos autores é não fugir de temas como homossexualidade e o uso de drogas, que sempre permearam a vida do artista.
Por enquanto, não existe um nome para interpretar Russo, mas acredita-se que deva ser alguém desconhecido e que tenha características físicas semelhantes às dele em sua juventude. Quanto à trilha sonora, discute-se a idéia de se usar apenas as vozes de Russo e refazer todo o arranjo das primeiras canções, com ênfase maior no punk do que a das gravações originais, para ressaltar o peso dos primeiros discos.
Os direitos autorais foram facilmente obtidos, dada a proximidade de Borges com a família de Russo. Até o momento, o filme está em negociação com as distribuidoras. Fontoura pretende filmar entre abril e junho do ano que vem e lançar “Religião Urbana” em outubro de 2006, aproveitando o mês que marca os 10 anos da morte do cantor.
Há também a idéia de levar para a sétima arte a história da canção “Faroeste Caboclo”. O projeto está a cargo do diretor René Sampaio, 33, escolhido pela Copacabana Filmes para seu primeiro longa-metragem, já com a devida autorização da família. O filme ainda está na fase de concepção do roteiro, portanto, deve demorar um pouco mais para invadir as telas brasileiras. Outro tema que ainda está em fase de negociação de liberação é um longa sobre a canção “Eduardo e Mônica”. Quem capitaneia o trabalho é a atriz e roteirista Denise Bandeira, uma das grandes amigas que Russo conheceu no tempo que morou no Rio de Janeiro.
Já não era sem tempo
Há tempos que os fãs da Legião Urbana ouvem boatos a respeito de uma produção cinematográfica que trata de Renato Russo e da banda. Parece que conversas de cá e de lá resolveram os problemas de aprovação da família, principalmente na época em que várias peças teatrais tentaram emplacar espetáculos sobre o grupo ou sobre o cantor, sem sucesso.
Mas agora é possível ter esperanças. Principalmente, pelo fato de os projetos não optarem pela forma mais fácil de abordar este personagem tão complexo e contraditório. Em vez de falar da carreira da banda, de sua ascensão e queda, Religião Urbana resolveu seccionar um trecho precoce de sua da vida artística. E não é um pedaço qualquer. Trata-se da época em que Russo se formou como músico e como pessoa, período de ditadura militar, em que a capital federal fervia e os jovens, sem nada para fazer, se juntavam para tocar rock e ver o tempo passar. Esse período tão rico é de imenso interesse para os fãs, que tentam entender o que se passava na cabeça do jovem Russo e como foi o processo que o transformou no verdadeiro ícone de uma geração, ainda hoje, quase nove anos depois de sua morte.
Já as películas que abordam músicas da Legião Urbana são há muito esperadas e, se bobear, o próprio Renato Russo já imaginava, quando as escreveu, que dariam dramáticas (“Faroeste Caboclo”), engraçadíssimas (“Eduardo e Mônica”), enfim, ótimas histórias, pois as descrições que emprega traçam de forma clara cada uma das cenas que podem ser vislumbradas para a concepção do filme.
Portanto, são projetos já mais do que aguardados e que devem ser vistos com muita alegria, pois não parecem ter um viés oportunista, como muitos dos últimos CDs da própria banda e coletâneas do trabalho solo de Russo. Serão mais formas de consumo para o crescente número de fãs da Legião, que buscam incessantemente respostas para a vida e o mundo nas letras das músicas do trio brasiliense. Só espero que com esses trabalhos, em especial Religião Urbana , os jovens fãs do cantor consigam entender quem realmente foi Renato Russo.
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