n

Picosearch
Rabisco - Revista de Cultura Pop Rabisco - Revista de Cultura Pop
Rabisco - Revista de Cultura Pop Rabisco - Revista de Cultura Pop
25 de janeiro
a 8 de fevereiro de 2006
Equipe Edições Anteriores

CADERNO ZERO #36

MÃOS À OBRA!
Nova escola internacional de cinema é aberta em São Paulo
por Rodrigo Herrero (rodrigo@rabisco.com.br)

u gostaria de comentar nesta edição uma matéria publicada no Caderno 2 do jornal O Estado de S. Paulo no dia 18 de janeiro, a respeito da abertura de uma nova escola dedicada à Sétima Arte, a Academia Internacional de Cinema (AIC). As aulas se iniciam apenas em março, mas nos dias 4 e 5 de fevereiro o local estará aberto para a visitação do público curioso que queira conhecer este mais novo trabalho, relevante numa terra como São Paulo, que ama o cinema.

A idéia é aprender a fazer filmes não apenas na teoria e sim pondo a mão na massa. Segundo conta para o jornal Steve Richter, fotógrafo estadunidense e co-fundador da escola em parceria com a brasileira Flávia Rocha, a escola segue o padrão das principais instituições do gênero existentes no mundo, com cursos semelhantes aos oferecidos nos Estados Unidos, como na New York University, que vislumbra três pontos: o cinema como forma de arte, uma das principais deste novo século; a formação técnica; e o cinema como negócio e mercado. Ele vê grande potencial para o cinema produzido no país por haver um espaço que o mercado ainda não vislumbrou: “Buscamos capacitar nossos alunos para ocupar esse espaço”, diz para o jornal.

De acordo com Flávia Rocha, a formação cultural não é esquecida nos cursos e procura-se um “meio termo” para formar profissionais com embasamento técnico, mas também com algum conhecimento histórico e teórico do cinema em si. O artigo do Estado ajuíza a AIC como uma escola cosmopolita, ao enumerar uma quantidade de professores “importados” que dão suas contribuições para o projeto. Entre eles são citados os estadunidenses Joshua Leonard, Mark Robin, o polonês Grzegorz Kedzierski, entre muitos outros, alemães, brasileiros...

Flávia coloca isso como uma qualidade da escola por diversificar os entendidos e, conseqüentemente, a experiência que cada um deles irá proporcionar aos alunos e o que cada estudante poderá tirar dessas personalidades. “O cinema produzido na Polônia é totalmente diferente do estadunidense, que é diferente do alemão. Essa troca enriquece e dá aos alunos uma visão universal. O cinema de lugares como Los Angeles e Nova York só são tão ricos por conta de suas equipes internacionais”, afirma Flávia para o jornal. Em Curitiba já existe outra sede desta escola há cerca de um ano e meio.

Parece ser mais um projeto interessante no sentido de fomentar a produção cinematográfica de São Paulo que, apesar de um tanto saturada, pode encontrar escape por meio de novas produções, quiçá mais arrojadas, frutos de novas mentes que possam despontar da AIC. Além da criação de escolas particulares e, às vezes elitistas, seria importante a ampliação desse esforço para que todas as camadas da sociedade tenham acesso a esse tipo de ferramenta de transformação.

E apesar de Richter falar que as produtoras estão em São Paulo e que tudo se move nessa cidade, é importante que, seja ele ou outros atores deste produtivo cenário, se faça um intercâmbio com outras localidades do Brasil, além do emprego de esforços em outras frentes, como no caso da distribuição e no acesso aos filmes, tema que ficou tão claro de sua obscuridade ao não se chegar a um consenso nos debates da 29ª Mostra BR de Cinema de São Paulo, realizada no fim do ano passado.