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8 a 22 de abril de 2006
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CADERNO ZERO #39

GIVE ME ROCK!
Shows de U2 e Oasis marcam paradoxo na organização de eventos desse porte no Brasil
por Rodrigo Herrero (rodrigo@rabisco.com.br)


os últimos tempos as grandes bandas de pop-rock resolveram desembarcar por aqui. Para ficarmos nos exemplos mais clássicos e recentes, Pearl Jam em dezembro, Rolling Stones e U2 em janeiro, deram o ar de sua graça pelas bandas do Brasil. Em março apareceram os ingleses do Oasis e o Santana, além do próprio Jamiroquai que já tocou aqui outras vezes.

Acredito que as apresentações de bandas estrangeiras como essas no Brasil são cercadas de contrastes. Enquanto alguns shows, sob o amparo do marketing e da propaganda, além de um volumoso orçamento e divulgação maciça na televisão, fazem abarrotar seus shows em grandes estádios, outras bandas sem o mesmo espaço, sem propaganda, divulgação e empenho da empresa que as trazem, conseguem vender todos os ingressos de sua apresentação em pouco tempo, com longas filas e desespero dos fãs que não conseguiram o bilhete premiado.

Se está claro que a primeira banda é o U2, que, com todo o suporte e alarde da TV Globo, conseguiu lotar dois Morumbis, a segunda que falo é o Oasis, que não possui todo aquele apelo popular no Brasil dos seus primeiros anos de carreira, quando “Wonderwall” e “Don't Look Back in Anger” estouraram na novela global das sete “Vira Lata”, mas teve seus parcos 15 mil ingressos de sua única apresentação disputados a tapa pelos fãs e detonados em menos de cinco dias.

Parece piada esse descaso, que começou com a própria empresa que os trouxe, e só confirmou a vinda da banda no fim da primeira quinzena de fevereiro, pouco mais de um mês antes do show. E isso só aconteceu depois de muita pressão dos fãs que entupiram a caixa de email do CIE, além das dezenas de assinaturas recolhidas numa petição feita pela internet. E olha que a empresa fez a promessa da vinda de uma banda escolhida por meio de votação em seu site, e o Oasis ganhou com mais de 50% dos votos, mais de 30% a frente dos demais concorrentes. Mesmo assim, as expectativas de apresentações em Porto Alegre e Rio de Janeiro foram jogadas por água abaixo, frustrando milhares de fãs.

Já no U2 até transmissão via TV aberta (e não ao vivo) ocorreu, fora toda a divulgação e babação (exagerada) ao quarteto irlandês. Claro que o apelo ao U2 é maior, já que as canções de Bono alcançam até mesmo elevadores mais requintados. Mas, se no caso do U2 são dadas todas as chances do público ver a banda, seja no estádio ou na TV, o mesmo não se pode dizer para o Oasis, com uma apresentação num estacionamento de uma casa de shows para um pequeno público, quando os fãs provaram que há muito mais gente aqui que gosta da banda.

Fica a pergunta: até quando o público brasileiro será desrespeitado dessa forma, com ingressos caríssimos para a maioria dos shows e poucas apresentações num país- continente como o nosso, com fãs espalhados por todo o território? Quem sabe, um dia, as bandas e as empresas que as trazem possam ter um pouco mais de consideração com o povo daqui debaixo.

Uma dúvida

Em tempos de pergunta sem resposta (afinal, o que aconteceu com as denúncias do mensalão e com os processos de cassação dos deputados? Muitos “acordões” vêm por aí), aqui vai mais uma: o que leva a um “grupo de pagode” colocar o nome de Inimigos da HP? Se alguém responder ganha uma “maravilhosa” multifuncional em perfeito estado (“como sempre”, claro) da referida empresa “detestada” pelo tal “grupo”.