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2 a 16 de maio de 2006
Equipe Edições Anteriores

CADERNO ZERO #40

CALENDÁRIO SEGUE INADEQUADO
Fórmula ideal do Brasileirão-2006 encontra dificuldades pela inoperância de nossos dirigentes
por Rodrigo Herrero (rodrigo@rabisco.com.br)


m ano de Copa do Mundo, o Campeonato Brasileiro começou neste mês de abril, pára em junho e volta em julho, com um incômodo intervalo de 5 semanas. Tempo de descanso, amistosos, torneios quadrangulares, enfim, qualquer coisa que não retire o ritmo de jogo dos atletas para essa dura competição. Parece brincadeira. Só no “país do futebol” (e da palhaçada) é possível acontecer essas coisas.

Ao invés de aproveitar a Copa para adequar o calendário brasileiro ao do resto do mundo (e não somente ao da Europa, como dizem por aí os chorões), com o início do nacional após o término do Mundial, não, a hipocrisia e a mediocridade de nossos cartolas, engalfinhados por muitos interesses, financeiros e de poder, resolveram “deixar tudo como está para ver como é que fica”.

A esperança deles é que os pontos corridos com 20 clubes, considerado ideal por muita gente (inclusive por este que vos tecla) dê zebra e faça com que o número de times aumente nos próximos anos, quem sabe, ainda, com a volta do famigerado mata-mata, virada de mesa, etc., deixando os clubes eliminados sem jogar por meses, sem ter como pagar os salários dos atletas. É incrível a dificuldade de colocar coisas positivas em nosso futebol.

E a pressão já começa dos falidos campeonatos estaduais. A porcaria do Paulistão já tem 19 rodadas de um turno único e pontos corridos, que um time faz só o jogo da ida, para fazer o da volta no ano seguinte. Difícil ver alguma justiça num campeão de um torneio como esse. E agora, o presidente da Federação Paulista, Marco Pólo Del Nero, quer aumentar as datas para 23, para, além de jogarem todos contra todos, ter semifinal e final. Pode? Pode, afinal, ele vota no Ricardo Teixeira para presidente da CBF, então pode.

É o fim da picada querer que os “grandes” de São Paulo, por exemplo (e o mesmo se aplica a qualquer clube grande do Brasil), gastem 20 rodadas viajando pelo interior de seu estado jogando contra times medíocres de aluguel, que só servem para deixar empresários ricos, se desgastando a toa. À toa sim, porque o time se cansa e não consegue render nas competições que realmente são importantes e dão retorno financeiro, como a Libertadores e o Brasileiro. Chegando ao cúmulo de, ainda, os que disputam o torneio sul-americano não poderem disputar a Copa do Brasil.

O São Paulo foi campeão do mundo no dia 18 de dezembro do ano passado. Um mês depois o time já estava em campo no ABC paulista, contra o fraco Santo André. E o tricolor ainda perdeu, sem tempo de preparação para a temporada 2006, o que certamente o prejudicou na luta pelo título paulista. Os dois exemplos (da Copa do Brasil e do São Paulo) evidenciam de forma absurda que os vencedores são premiados de forma contrária, tendo que se matar em campo para manter o calendário lunático da CBF.

Outro exemplo foi que eu li na coluna “De Prima”, do diário Lance! de 13 de abril, em que o Flamengo foi impedido pela CBF (na pessoa de seu diretor técnico, o famoso Virgílio Elísio) de disputar o tradicional torneio Ramón de Carranza, na Espanha, porque precisaria antecipar um jogo contra a Ponte Preta, o que abriria um grave precedente. Que raio de precedente? Por que não abrem espaços no calendário para os clubes viajarem, ganharem dinheiro lá fora com excursões, amistosos? É tão difícil adequar isso? O objetivo nunca são os clubes e sim as federações e confederações que se beneficiam do lucro que os times dão nesses campeonatos mal feitos.

Acredito que a temporada deveria começar com um mês de preparação, com espaço aberto para quem quiser excursionar. Depois, um campeonato estadual realizado em, no máximo, dois meses, servindo principalmente como preparação para o ano, sem pontos corridos, com mata-mata, acredito que seria mais atrativo a longo prazo, já que é um torneio de tiro curto. E sem jogos encavalados um no outro, como acontece no Rio Grande do Sul, por exemplo, obrigando os “grandes” a usarem reservas em algumas partidas.

Após isso, começariam as competições nacionais, todas em paralelo (Série A, B, C, Copa do Brasil), incluindo-se aí, também, os torneios sul-americanos. O que representa, claramente, a necessidade de uma adequação do calendário também pela Conmebol, pois não dá para os mesmos times disputarem Libertadores e Copa Sul-Americana juntas e há muitas equipes que gostariam de ganhar espaço atuando nesses torneios, fazendo a divisão como ocorre na Europa, entre Copa dos Campeões e Copa Uefa. Creio que esses seriam alguns bons primeiros passos para fazer com que todos os clubes tenham chance de obter lucro com o futebol e os atletas não se estourem tão cedo.