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24 de maio a 7 de junho de 2006
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CADERNO ZERO #41

PENSAMENTOS DE OUTONO
Apenas um comentário mau-humorado sobre o frio, Sílvio Pereira e sobre o novo disco do Red Hot Chilli Peppers
por Rodrigo Herrero (rodrigo@rabisco.com.br)


ão Paulo tem feito um frio de rachar. Pelo menos para mim, que não sou muito fã desse negócio de outono e inverno, temperaturas baixas, todo mundo encapotado, meias, cobertores, cachecóis, blusas de lã, tocas, gorros. Sem falar na gripe, resfriado, tosse, espirros, dores de garganta e cabeça, preguiça.

Ah, tem também a preguiça para levantar cedo da cama, a saudade da pipoca e da sessão da tarde quando eu era criança e não tinha nada para fazer nem para me preocupar. Saudade da ex-namorada ou de algum corpo do sexo oposto mais próximo do que na lata de sardinha do metrô de manhã, e com outro objetivo que não o de dar cotoveladas e empurrar uns aos outros só para conseguir entrar no vagão do trem.

Enfim, essa breve lista saída duma vez de minha mente dá uma boa medida do porquê eu não gosto do frio. Tá, alguém vai dizer que é romântico o frio, as pessoas ficam mais juntinhas, é melhor para namorar e todas as eteceteras que todos sabem. Agora, vai dizer isso para alguém que está, digamos, “chupando o dedo”: “É complicado estar só, quem está sozinho que o diga”, já dizia Renato Russo na canção “Natália”, do seu canto do cisne com a Legião Urbana chamado A Tempestade ou o Livro dos Dias. Nossa, já faz 10 anos que esse disco foi lançado, da morte do Renato... Que saco! Frio só chama tristeza!

Prefiro o verão, todo mundo animado pelo calor, na expectativa de um feriado ou das férias pra viajar, pouca roupa, corpo de fora, pouca gripe, cerveja geladéééééérrima no buteco da esquina, amigos e amigas se reunindo, bebendo e rindo. Ah, é por isso que eu prefiro o calor, a primavera. Se bem que essa coisa de quatro estações só tem no mais famoso disco da Legião Urbana, porque no Brasil, e principalmente em Sampa, não existe essa papagaiada de tempo fixo em estações do ano. Chove pacas no verão, esquenta no inverno, esfria demais no outono, caem flores na primavera. A temperatura é uma verdadeira miscelânea. Mesmo assim, não vejo a hora de chegar o tempo do calor (foda-se a estação), porque aí eu sou (pelo menos me sinto) mais feliz.

Caderno Político
E por falar em fria, o que deu no Sílvio Pereira, ex-secretário geral do PT? Denunciou o Lula numa entrevista ao jornal O Globo e depois, em depoimento na CPI, disse que não sabia o que era verdade na entrevista. Alguém pode me explicar como pode uma pessoa desmentir suas próprias palavras? Ele disse que não estava bem de saúde. Por que deu a entrevista, então? Porque se expor depois de tanto tempo sumido e depois recuar? Dizer que o fato do Lula comandar o partido era no sentido de “questões políticas”? Ah, a chapa desse Sílvio tá esquentando. Ele que num tome cuidado com o que diz ou desdiz, vai acabar ou preso ou, como diz o ditado, morrendo pela boca, literalmente. E antes que algum patrulheiro diga algo, não foi uma ameaça, é apenas uma constatação do que tem acontecido e, especialmente, do trato desse partido com seus quadros.

Caderno Musical
Quem esquentou a chapa também foi o novo disco do Red Hot Chilli Peppers, Stadium Arcadium. Lançado no melhor estilo pretensioso, trata-se de um duplão com 28 músicas e quase duas horas dos mais variados sons, desde a tradicional psicodelia, batida rap/funk, e, claro, rock and roll. Engraçado que na primeira orelhada eu achei apenas melhor que By the Way (o que, convenhamos, não quer dizer nada) e inferior em relação ao Californication. Nem me atrevi a comparar com Blod Sugar Sex Magic, pois aí era covardia demais.

Mas, na terceira, quarta audição, comecei a ver o discaço que esse novo trabalho deles é. Tem de tudo ali, até metais, caso de “Torture Me”. Destaques para “Dani Califórnia” (o hit das rádios toscas de São Paulo), “Snow” (viajante), “Stadium Arcadium” (baladinha bacana), “Charlie” (essa é show!), “Wet Sand”, “Readymade”, “Hum de Bump”. Ah, são muitas as músicas, o álbum é classe A, mistura canções ferozes e calmas, alegres e tristes, num pacote bem produzido pelo já manjado Rick Rubin.

Se todos os discos fossem duplos e recheados de preciosas pérolas musicais, como o Foo Fighters fez no seu último trabalho, ou a maravilha mais vendida na história chamada Mellon Collie and the Infinite Sadness, lançada em 1995 pelos The Smashing Pumpkins. O RHCP cumpriu bem seu papel, trazendo um álbum com bastante fôlego e que deverá agradar não só aos fãs, mas também aqueles que curtem boa música, afinal, eles tocam bem demais. Pude comprovar a bacana fase da banda num show deles transmitido pela MTV no último dia 7, com direito a apresentação de algumas faixas novas do disco. Até meu pai que odeia rock e não manja nada disso elogiou de forma espontânea o John Frusciante e o Flea pela destreza em seus respectivos instrumentos. Parabéns RHCP, vocês são verdadeiros heróis por arrancarem boa impressão até do meu velho.