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18 de janeiro a 02 de fevereiro de 2007
Equipe Edições Anteriores

CADERNO ZERO #51

MISCELÂNEA
Reflexão sobre o tempo e notas musicais
por Rodrigo Herrero (rodrigo@rabisco.com.br)

lá caros leitores que acompanham esta coluna. Começo 2007 ainda em ritmo de férias, engatinhando após passar alguns dias fora de São Paulo. Procuro ler as coisas para me interar dos assuntos, bater um papo aqui e ali, visitar amigos, rever pessoas e recomeçar mais um ano que mudou na folhinha. No fim das contas, foi a única coisa que se alterou, pois as demais permanecem as mesmas, a não ser a esperança de que tudo acontecerá de modo diverso do que vivemos ano passado. Sobre isso, o poema “O Ano”, de Carlos Drummond de Andrade é maravilhoso. Ele é curtinho, vou colocá-lo abaixo, pois vale a pena.

O Ano

Quem teve a idéia
De cortar o tempo em fatias,
A que se deu o nome de ANO,
Foi um indivíduo genial,
Industrializou a esperança,
Fazendo-a funcionar
No limite da exaustão.
Doze meses dão para qualquer ser humano
Se cansar e entregar os pontos.
Aí entra o milagre da renovação
E tudo começa outra vez, com outro número.
E outra vontade de acreditar
Que daqui por diante vai ser diferente

Bacana né? E olha que tem gente que pensa em dividir o ano em treze meses de 28 dias, sobrando um para ser deixado no fim ou no começo de um ano, tudo para facilitar a vida dos comerciantes na questão do cálculo de suas contas, impostos. É uma maluquice sem tamanho, li isso outro dia em um jornal, acho. Disso eu raciocino que calendários e divisões de tempo são meramente virtuais, desprendidos de realidade.

Engraçado notar que tudo é não mensurado, ou seja, os dias, meses, anos, foram criados, mas, experimente esquecê-los e sua vida não vai mudar em nada. Claro que, com a globalização de hoje, se você esquecer uma data e a conta do telefone ou a fatura do cartão de crédito atrasarem você vai sentir a conseqüência disso no bolso. Mas ninguém se apercebe totalmente das horas quando está passeando em um parque, por exemplo, ou brincando com os filhos, bebendo com os amigos, almoçando com a família, fazendo sexo. O tempo é dispensável nessas situações, servindo mais para organizar o caos da sociedade no cotidiano.

Aliás, a mania tola do ser humano em tentar sistematizar tudo que faz e o que está à volta, para tentar manter o domínio e sentir menos medo e surpresa, deixando sua vida repetitiva e chata, pois nada mais acontece fora daquilo que já está planejado. Sim, a civilização, com essa busca incessante de controlar cada passo, corre o risco de se tornar cada vez mais maçante e insossa.

Perdão por começar esta coluna da forma como foi, mas como é janeiro vocês hão de me entender (risos). Até porque esse texto não foi nada planejado e uma das minhas metas para 2007 é planejar e sistematizar menos cada ato meu, inclusive quanto à escrita, para deixar minha mente mais solta para pensamentos diversos. Enfim, o objetivo é fugir da formatação de idéias e da limitação de percepção que o cotidiano costuma impor.

Caderno Musical

Após essa filosofia esquisita sobre o tempo vamos falar um pouquinho do que tem rolado no mundo da música, em pílulas rápidas e digestivas.

Alguns shows para 2007: O Fatboy Slim, após ter tocado três vezes no Brasil, uma no carnaval baiano, irá fazer uma verdadeira turnê em fevereiro no país, porque ele passará por 11 cidades. Confira a lista de shows conforme seu site oficial: dia 1º em Recife; 2 em Belo Horizonte; 3 em Porto Alegre; 7 em Guarapari (RJ); dia 9 em São Paulo; 10 no Rio de Janeiro; 11 em Brasília; 17 em Camboriú (SC); 18 em Caldas Novas (GO); 20 em Salvador; e fecha dia 21 em Porto Seguro (BA). 

No mesmo mês o Coldplay tem três datas marcadas para São Paulo (26, 27 e 28), todas com ingressos esgotados em apenas dois dias. A banda vai fazer shows pequenos no Brasil, na Argentina e no Chile (também três em cada país) no próximo mês para mostrar algumas músicas e fazer uma apresentação mais intimista, conforme informação do portal brasileiro da banda. Por isso mesmo, a Via Funchal, que receberá os shows na capital paulista, limitou sua área com cadeiras para apenas 2.757 pessoas, enquanto que, se o público fosse deixado em pé, abriria espaço para um total de 6 mil.

Outra banda que vai tocar no Brasil em 2007 é o Evanescence, com quatro apresentações no fim de abril: São Paulo, Curitiba, Porto Alegre e Rio de Janeiro. Já o Placebo, vem mesmo ao Brasil, dois anos após sua passagem por aqui. A banda reservou entre o fim de março e início de abril as datas da nova turnê em terras sul-americanas. Tanto que já até há um show marcado em Santiago, no Chile, no dia 30 de março. Em breve deve sair os dias exatos que o trio se apresentará no Brasil.

Por fim, uma para os fãs do Korn e outra para os fãs do Metallica. Agora em fevereiro sai o CD e DVD Acústico MTV Korn, gravado em dezembro e que teve a participação do Cure, de Chester Bennington, vocalista do Linkin Park, e de Amy Lee, cantora do Evanescence. Duro para quem é fã da banda imaginar o barulho do Korn amansado por violões. Aguardemos o resultado.

Já o Metallica promete um novo CD para o meio deste ano soando com Master of Puppets, de 1986. Pelo menos é o que garantiu o baterista Lars Ulrich à imprensa recentemente. Existem 25 músicas prontas que serão escolhidas para entrar no álbum, que tem na produção o famoso Rick Rubin, que trabalhou com Red Hot Chilli Peppers e Beastie Boys. Essa, só vendo mesmo. Até porque entre soar e parecer vai uma estrada de distância. Além do mais, depois de afirmarem que St. Anger, lançado em 2003, era uma volta às origens e foi o fiasco que todos os metaleiros das antigas disseram – uma verdadeira decepção para quem esperava um rastilho de solo que fosse -, a descrença bate mais forte do que alguma esperança de ouvir acordes sequer semelhantes a “Battery”, “Master of Puppets”, “Welcome Home (Sanitairum)” ou “Disposable Heroes”.