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04 a 19 de fevereiro de 2007

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Delirium Tremens #10

BONANÇA EDITORIAL
Reedições de clássicos e novos lançamentos movimentam o mercado editorial nacional, que nem parece ter um público consumidor limitado e pobre
por Luiz Rebinski Junior ( jrrebinski@yahoo.com.br )

mercado editorial brasileiro anda em polvorosa. Para um país que ostenta um número de 14 milhões de analfabetos – sem contar os funcionais, é claro –, e onde a literatura não é nenhuma prioridade na vida da população, até que estamos bem. No último ano e começo deste, uma série de lançamentos, relançamentos e novas edições de livros importantes deram as caras nas prateleiras das livrarias nacionais.

Grandes escritores, como é o caso de George Orwell, Truman Capote e Marcel Proust tiveram ou ainda terão livros editados no Brasil. No caso de Capote, o namoro com a indústria brasileira de livros já vem de algum tempo. Ajudado pelo filme de Bennett Miller, que foca o período de gestação de A sangue frio, livro mais conhecido do autor norte-americano, Capote teve uma enxurrada de títulos lançados no Brasil. Além do óbvio relançamento de sua principal obra – há anos fora das estantes daqui e com edição sofrível – , Bonequinha de luxo, novela que antecede o estrelato do escritor, Música para camaleões, misto de contos e perfis, e Os cães ladram, série de perfis lançado em edição de bolso, foram alguns dos livros de Capote que aportaram em nossas livrarias. Completam a lista ainda uma compilação de contos (20 contos de Truman Capote) e o livro perdido do autor, só achado em 2004, Travessia de verão.

Orwell, no entanto, não ficou atrás. Em pouco mais de 12 meses o autor britânico teve cinco títulos lançados em terras brasilis. Muito justo, já que nossa versão do reality show Big Brother é uma das mais assistidas do mundo, ainda que a grande maioria dos telespectadores brasileiros sequer tenha noção de quem é George Orwell. Além da nova tradução de Revolução dos bichos, títulos inéditos do autor de 1984 ganharam versão em português. Dentro da baleia e outros ensaios, Na pior em Paris e Londres, Literatura e política: jornalismo em tempos de guerra e Lutando na Espanha enfocam a produção jornalística de Orwell. O primeiro, organizado pelo jornalista Daniel Piza, traz textos clássicos do jornalismo literário como “Um enforcamento” e “O abate de um elefante”, além de histórias do tempo em que o escritor trabalhou como vendedor de livros em um sebo. Já o segundo é um mergulho de Orwell na pobreza européia do pós-guerra. O livro encabeça a coleção da editora Companhia das Letras, que busca resgatar grandes textos do jornalismo literário. Literatura e política: jornalismo em tempos de guerra resgata textos sobre os mais variados assuntos, escritos por Orwell para o jornal britânico Observer, entre 1942 e 1948. Por último a Editora Globo coloca na praça os escritos do britânico, que nasceu na índia colonial e se chamava Eric Blair, sobre a guerra civil espanhola (1936-1939), conflito no qual lutou contra as tropas de Francisco Franco.

Na rabeira dos grandes obras da literatura estão sendo reeditados os volumes que compõem a série Em busca do tempo perdido, de Marcel Proust. No caminho de swan, na famosa tradução do poeta gaúcho Mário Quintana, já está no mercado. A nova edição, revista por Olegária Chaim Féres Matos, traz prefácio, cronologia, notas e resumo de Guilherme Ignácio da Silva, além de posfácio de Jeanne-Marie Gagnebin, professora de filosofia da PUC-SP. Até o final do ano a Editora Globo promete reeditar todos os volumes da série.

Nelson Rodrigues

Outra boa notícia do mercado editorial é que a editora Agir começou a reeditar a obra em prosa de Nelson Rodrigues. O primeiro livro a sair foi a coletânea de contos A vida como ela é... Depois de 45 anos da primeira edição compacta, com 100 contos – em 1992 a Companhia das Letras editou em dois volumes as histórias de Nelson, escolhidas por Ruy Castro –, o tomo é disponibilizado novamente, agora em uma edição de luxo. Acaba de sair também O casamento, único romance de Nelson Rodrigues. Vale lembrar ainda que ano passado a mesma casa editorial lançou as principais obras de Caio Fernando Abreu.

Passando pela poesia, a Cosac Naify, melhor editora do ramo de livros de arte, promete, até o ano de 2008, reeditar pelo menos dez livros de Manuel Bandeira. No bojo das comemorações dos 120 anos de nascimento do poeta pernambucano, o selo editou Crônicas da província do Brasil e 50 poemas escolhidos pelo autor.

Essas são apenas algumas das novidades do nosso mercado livreiro. Há ainda uma infinidade de clássicos e novos lançamentos – de bons autores nacionais e internacionais – aportando por aqui. Com essa bonança, nem parece que estamos falando do Brasil, um mercado consumidor que, dizem os editores e entendidos, não ultrapassa os dez mil leitores.