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19 de junho a 3 de julho de 2006

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Espaço Aberto #10

A PRIMEIRA IMPRESSÃO (ÀS VEZES) É A QUE FICA
Em seu terceiro álbum, Strokes mais uma vez não conseguem convencer.
Por Eduardo Martinez ( eduardoapm@hotmail.com )

Na passagem de 2001 para 2002 surge em Nova York um furacão chamado The Strokes, cinco rapazes de cabelos despenteados e roupas de brechó, apresentando um rock´n roll cru e direto, com influências nítidas (ás vezes até demais) de Television e Velvet Underground.

Bastou o hit "Last Nite", para que a banda se tornasse um fenômeno mundial. Considerações no melhor estilo "The Next Big Thing" não faltaram, as comparações com o Nirvana também não (mas essas já não surpreendem mais ninguém). Mas o fato é que muitos (como eu) torceram o nariz para o seu primeiro trabalho, "Is This It", e só com o passar do tempo foram (fui) perceber que se tratava de um grande álbum.

Músicas como "New York City Cops", "The Modern Age", "Hard to Explain" e várias outras do CD, definitivamente não podem ser desconsideradas. "Is This It" é aquele tipo de álbum em que não conseguimos apontar uma melhor canção, todas são dignas de nota. Então é real, Strokes é uma grande banda, não a que vai salvar o rock´n roll (se é que ele precisa ser salvo), mas ainda sim uma ótima banda.

Consequentemente o próximo álbum é esperado com grande ansiedade. E em 2003 é lançado o irregular "Room on Fire", coberto de expectativa, o trabalho decepciona. Tem algumas músicas muito boas como, "12:51", "Reptilia" e "What Ever Happened", mas no geral parecem ser sobras de estúdio do primeiro álbum, funcionaria perfeito como um disco lado-B, é aquele velho problema da banda se repetir.

Em 2006, é anunciado para o fim de janeiro o lançamento de "First Impressions of Earth", o terceiro trabalho dos cinco rapazes (ainda descabelados) de Nova York. Os brasileiros, impulsionados pela apresentação da banda por aqui no mesmo mês, criam expectativas ainda maiores que as de 2003, para o sucessor de "Room on Fire".

Antes do lançamento oficial do álbum, tive contato com o primeiro single, "Juicebox", e me surpreendi com a pegada um pouco mais pesada que a dos trabalhos anteriores, e com os berros ensandecidos de Julian Casablanca.

Alguns dias depois, me deparo com o álbum completo, coloco cheio de curiosidade no CD Player (na verdade no computador) e ouço a faixa de abertura, a cativante "You Only Live Once", ponto para os Strokes. Logo após passo para a segunda faixa, a já conhecida "Juicebox", que na segunda audição parece ainda melhor. "Heart in a Cage" vem logo em seguida com suas ótimas guitarras e a bateria galopante do brasileiro Fabrizio Moretti. A quarta faixa é "Razorblade", ótima canção, com uma irresistível cadência gerada pelo diálogo baixo/guitarra. A seguir surge a boa linha de baixo de "On the Other Side", mas derepente seus 4min e 4 seg começam a cansar, e a partir desse ponto alguma coisa se perde.

O charme da voz arrastada de Julian começa a se tornar irritante, o resto do álbum também segue arrastado, parece que implorando para terminar.

Em faixas como "Ask me Anything", o que era influência da forma de cantar de Lou Reed, se torna caricatura. Além de "Killing Lies", em que se espera á música inteira e ela não decola, assim como o resto do disco, que tem inexplicavelmente 52 minutos, vinte a mais que os anteriores, e nesse caso se tornam intermináveis.

A melancolia, que nos primeiros álbums era contida, e dosada brilhantemente no frescor (mesmo que retrô) das canções, em "First Impressions..." aparece muito explícita, por muitas vezes tornando a música entediante.

Logicamente ouvi outras vezes o álbum, para não correr o risco de ter conclusões precipitadas, como tive com o primeiro, mas o resultado foi o mesmo.

As primeiras faixas do disco com certeza serão lembradas, e com razão, mas é muito pouco para uma banda que nos presenteou com o já clássico "Is This It".