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28 de julho a 13 de agosto de 2006

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Espaço Aberto #12

BOLA NA TELA
Com a ressaca pós-Copa do Mundo, uma seleção de filmes que falam do grande sofrimento de todos os torcedores: uma partida de futebol
por Luiz Andreghetto ( luiz_andreghetto@hotmail.com )

e o hexacampeonato não veio dessa vez e a Copa do Mundo já é assunto do passado, principalmente para aqueles que preferem esquecer uma atuação sofrível do time que tanto torcíamos, nem tudo ainda está perdido. Ainda temos Copa América, Campeonato Brasileiro e muitas outras oportunidades de sofrimento, ou até mesmo de puro masoquismo, para alguns que teimam em torcer para aquele time que nunca ganha. Mas paixão é isso mesmo, pode ser ruim, pode estar jogando feio, mas torcedor apaixonado que se preze nunca se importa, sempre espera que dias melhores virão e que seu time alcance novamente as glórias do passado (caso tenha alguma).

Mas, para aqueles que querem ver um jogo, não importando o time e nem o lugar onde eles jogam, os bastidores de uma partida de futebol, a paixão da torcida ou alguma história que envolva qualquer coisa relacionada ao esporte mais popular no mundo, o cinema pode ajudar. Mesmo ainda não tendo criado uma obra que pareça ser definitiva sobre o tema, o cinema vai, em passos tímidos e às vezes desajeitados, tentando mostrar o fascínio que existe entre esses dois seres tão díspares: o homem e a bola.

Copa do Mundo

Em 1954 a seleção alemã vence a Copa do Mundo, ganhando seu primeiro título em um mundial, fato que ficou conhecido como O Milagre de Berna , nome da cidade suíça onde ocorreu a partida final. Esse também é o título do filme alemão de 2003 que mostra, através do olhar de um menino de 11 anos, todas as expectativas e “agitos” que ocorrem na família e na pequena cidade onde vive. Também nos anos 50 um país sem tradição futebolística, os Estados Unidos (que ainda continuam assim) recrutam vários jogadores para formar um time para a Copa de 1950 no Brasil em Duelo de Campeões (2005).

A paixão pelo futebol também pode se manifestar nos lugares mais improváveis. Já imaginou um monge budista torcendo por algum time? Em A Copa (1999), primeiro filme realizado na República do Butão, um garoto de 14 anos, aprendiz de monge e apaixonado por futebol, veste por baixo das túnicas budistas a “camisa” da seleção brasileira (feita de maneira rústica) e tenta a todo custo ver as partidas da Copa de 98, provocando algumas pequenas revoluções dentro do mosteiro.

Se a beleza do futebol encanta, ela também serve para alienar toda uma nação em busca de títulos e vitórias. Em Pra Frentre Brasil (1982) a copa do mundo de 1970 serve como pano de fundo para a história de um pacato cidadão que é confundindo com um ativista político e torturado nos porões da ditadura militar. Enquanto o povo torce pela seleção em completo estado de euforia, o país para e esquece todas as mazelas de uma administração corrupta e desleal. Encomendado pela Fifa, Murilo Salles, proporciona um deleite visual com o documentário Todos os Corações do Mundo (1995), que além de imagens espetaculares mostra o campeonato e a vitória da seleção brasileira na copa de 1994.

Jogadores e Artilheiros

Pelé, atleta do século e símbolo do futebol brasileiro pode ser admirado no documentário Pelé, Eterno (2004) e visto como ator no drama de prisão Fuga pela vitória (1981), dirigido por um John Huston em final de carreira com uma história bizarra que mistura futebol, prisão e Sylvester Stallone. Outro grande ídolo nacional, Garrincha, tem todas as suas glórias e crises mostradas em Garrincha, alegria do povo (1962), dirigido pelo excelente Joaquim Pedro de Andrade e em Garrincha (2003), onde fatos e ficção pretendem mostrar a ascensão e queda de um dos maiores jogadores que o Brasil já teve.

Um honesto retrato de um jogador, desde suas origens, sonhos e desejos, até seu auge em um grande time é mostrado em Asa Branca – um sonho brasileiro (1980), filme de Djalma Limongi Batista, com um jovem Edson Celulari em início de carreira, cuja história, hoje, parece muito ingênua perto dos milhões que são investidos em cada estrela de chuteira. Gol (2005), produzido pela própria FIFA, fala dos percalços de um pobre latino-americano que sonha ser um grande craque. O “sucesso” foi tanto que os produtores já preparam uma continuação.

Torcedores

Famosos por seus quebra-paus antes ou depois das partidas de futebol, os hooligans (torcedores ingleses) podem ser vistos em duas produções: Hooligans (2005) e Violência Máxima (2004) que não ficam devendo nada á violência das torcidas organizadas brasileiras. Cartão vermelho para eles.

A paixão dos torcedores pelo futebol também é mostrada em O Casamento de Romeu e Julieta (2004), onde um torcedor corintiano e uma torcedora palmeirense se apaixonam. Não menos obcecado pelo time que torce é o protagonista de Febre de bola (1997), baseado em um livro de Nick Hornby, que não se cansa de torcer pelo Arsenal (time inglês), mesmo que esse nunca vença.

Inglaterra x Brasil

Dois dos maiores entusiastas pelo esporte, que foi inventado por um inglês e aperfeiçoado em solo brasileiro, muito timidamente optam por mostrá-lo no cinema. Da Inglaterra podemos ver Penalidade Máxima (2001) sobre um jogo entre presidiários e funcionários da cadeia e Driblando o destino (2002), onde duas garotas, uma inglesa e uma descendente de indianos, querem ser jogadoras de futebol igual ao ídolo David Beckham.

No Brasil, além dos já citados acima, o futebol também faz parte de Boleiros (1998), que fala do dia a dia de um time de várzea e a continuação e Boleiros 2 (2006) que ainda não estreou em circuito nacional; O dia em que o Brasil esteve aqui (2005), em como a presença da seleção brasileira “mudou” a vida da população do Haiti e nos curta-metragens Barbosa (1998), Cartão Vermelho (1994) e Uma história de futebol (1998), que até foi indicado ao Oscar na categoria de melhor curta-metragem.

Na trave

Ainda tem aqueles filmes que querem que, de uma maneira ou de outra, o futebol faça parte da narração, mas só conseguem com isso, literalmente, dar “uma bola fora”. É o caso de Com a Bola Toda (2000), Kung Fu Futebol Clube (2001) e Papai Bate um Bolão (2005). Que venha então a próxima Copa.