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19 de agosto a 3 de setembro de 2006

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Espaço Aberto #13

A MARCHA PELA VIDA
A Marcha dos Pingüins destaca na tela o que anda faltando aos homens.
por Luciana Urbim ( lurbim@yahoo.com.br)

primeira impressão que nos causa a história de A Marcha dos Pingüins, trazida por Luc Jacquet, de um distante e gélido universo branco, é a de uma sofrida corrida contra o tempo na busca da eternidade através das novas gerações. Essas criaturas tão persistentes e terrivelmente humanas em muitos momentos, fazem com que nossa percepção aproxime a existência racional dos mais puros instintos afetivos de nossa comum natureza animal. Afinal, nos reconhecemos nesta luta pela vida demonstrada por esses corajosos pingüins. Algo ressoa nas profundezas de nosso íntimo. Faz acordar o espírito de nossos mais remotos ancestrais. Lembrando-nos de nossa anciã história existencial neste planeta. Numa difícil jornada ao longo de milhares de anos de sobrevivência. Esta história feita de contradições e erros de percurso. De muitas perdas para que houvessem alguns ganhos.

O homem encontra-se senhor em nosso planeta, embora tenha comprometido em muito a continuidade de sua própria existência em resultado há séculos e mais séculos de exploração dos recursos naturais e degradação do meio ambiente. Não só pôs em risco a sua espécie como extinguiu inúmeras outras. Tal comportamento revela um misterioso sentido, um contraditório objetivo; incompreensível à natureza. Somos a única forma de vida que com suas ações dirige-se a um suicídio em massa. Enquanto a maioria dos seres faz o possível, e o impossível, para garantir a vida não apenas a si próprio como também às futuras gerações, nossas preocupações não vão muito além ao imediatismo de nossas necessidades pessoais e urgências materiais. Norteados por valores individualistas esquecemos de pensar no bem comum: nosso planeta. Perdemo-nos do sentimento de pertença a uma só comunidade, a global. Esquecemos que formamos uma só família com a natureza e todas as suas formas de vida. As cenas da união dos pingüins para enfrentarem a nevasca, e desta forma protegerem seus filhotes, deixa bem claro o que anda faltando aos homens. Parece mesmo que acabamos perdendo o rumo durante a longa marcha de nossa existência. A mensagem deixada pelo filme na verdade não pode ser expressa apenas em palavras, mas sim em um novo olhar sobre nós mesmos, ao perceber o quanto nós seres tão racionais, ainda temos muito a aprender com os animais.