1

 

 

 TUDO EM TEMPO
A cantora Casey Diene pondera sobre a indústria da música e diz não troca a vida tranqüila pela fama.

EXPRESSÃO AMOR
Cão Sem Dono é como um verbo que se
conjuga para todas as pessoas
.

NA PRIMEIRA FILA
Norman McLaren, referência na animação experimental, ao alcance de um clique


RAPHSODY IN BLUE
George Gershwin quis escrever a trilha sonora do sonho americano.

OS 40 ANOS DO SARGENTO PIMENTA
Sgt. Pepper's faz quatro décadas e continua a obscurecer outras obras-primas lançadas no prolífico ano de 1967.

A ARTE ESCRITA EM LINHAS TORTAS>
Fellini descreve a influência norte-americana no cenário italiano pela ótica de um jornalista (in)feliz.

O ANJO DEFORMADO
Serafim Ponte Grande exibe a crítica social perspicaz e a literatura revolucionária de Oswald de Andrade.

RÉQUIEM GRUNGE
O eterno clichê do rock'n'roll encontra sua face mais recente em Os Últimos Dias , de Gus Van Sant.

O ESTUPRO DO MUNDO
Baixio das Bestas e O Cheiro do Ralo têm em comum a mulher como elemento de prazer egoísta e violento.

A TERCEIRA CAUSA
Livro-reportagem retrata os problemas, as histórias e as possíveis soluções para o trânsito, que resulta na morte de 34 mil pessoas no Brasil.

O ABC DA MÚSICA POP
Zeca Camargo lança De A-Ha a U2 : um verdadeiro tratado sobre o mundo da música pop por quem entende mesmo do assunto.


Conheça algumas bandas que ainda batalham por mais espaço no mundo dos independentes.

O Miguxês,quem diria, vai virar dialeto.


Entre Chopes e Salsichas, uma História Alemã



Picosearch

 


Rabisco - Revista de Cultura Pop Rabisco - Revista de Cultura Pop
Rabisco - Revista de Cultura Pop Rabisco - Revista de Cultura Pop

14 de julho a 31 de agosto de 2007

Equipe Edições Anteriores

7 AnuxXx dI PAStor...
O Miguxês, quem diria, vai virar dialeto.
por Marcelo Xavier ( marcelo@rabisco.com.br )

enhoras e senhores, miguxos e miguxas, parece brincadeira, mas o que era modismo veio para ficar. Ou não? Na verdade, eu achei que se tratasse apenas de uma variação do “internetês”, que tem as suas justificativas e a sua razão de ser. Afinal de contas, essa geração de adolescentes foi pega de surpresa pelo hábito de ter que utilizar um terminal de computador, coisa que a minha geração só conseguia dominar de forma correta se freqüentasse um curso de datilografia. Hoje, as pessoas são obrigadas a se comunicar através de um teclado, tarefa difícil para os não iniciados. A pressa ou a incapacidade de digitar com todos os dedos permitiu que se criasse um código particular, o de usuário de internet. O Miguxês, odiado por tanta gente (só no Orkut, existem mais de vinte comunidades sobre o assunto), seria a versão rococó da linguagem internética: de tão lúdica, acaba se tornando hermética, exótica e entrópica.

Me socorro da Wikipédia para encontrar um conceito para “ miguxês”. Aqui vai: é um termo popular usado para designar uma forma de grafia que tenta imitar a linguagem infantil (também chamada de "tatibitate"), sendo largamente usada na Internet por algumas adolescentes. Não se confunde com o chamado internetês por não ter uso restringido à Internet, nem ter como propósito agilizar a escrita. Ao contrário, é visível que essa forma de escrever é ainda mais trabalhosa do que a escrita normal, dado o recurso comum de alternar letras maiúsculas com minúsculas e substituir o "s" por "x". O termo é proveniente de "miguxa", um hipocorístico para "amiga" .

De forma a depreciar os adeptos desse estilo, muitos os associam aos “emos”, adolescentes que cultivam cabelos “tigelinha”, pintam os olhos e se vestem de preto. A associação, por sinal, é inevitável e irresistível, já que ambos postulam uma estética de afetação além do comum. E, de fato, comum é o que interessa aqui. Porém, o que era para ser uma abreviação das palavras, visando facilitar a escrita, virou uma barroquice sem tamanho. Palavras são escritas com letras intercalando maiúsculas e minúsculas, causando um impacto visual bom para quem tem extrema dificuldade em ler textos na tela do computador.

O Miguxês divide opiniões: ou se ama, ou se odeia de maneira total e irrestrita. A Desciclopédia (versão politicamente incorreta da Wikipedia ) trata do assunto sem meias palavras. O verbete propõe alguns padrões de escrita, a saber:

* Miguxês padrão: escrita de acordo com as normas ortográficas de idiomas que usam o alfabeto latino como o português e o inglês, com a exceção de que não existem letras maiúsculas.

  * Miguxês alternante: semelhante ao anterior, consiste em alternar letras maiúsculas e letras minúsculas.

  * Miguxês numérico: similar ao 1337, substitui certas letras por números, como no exemplo: "01, p3xx01nh4xx!!" (port: "oi, pessoinhas").

  * Miguxês hieroglífico: norma de ortografia mais freqüente no MSN Messenger, consistindo numa mistura aleatória de pictogramas (emoticons) e caracteres alfanuméricos. Não é mutuamente inteligível com o português e aqueles que não são versados em miguxês precisam de muita atenção, paciência e, principalmente, calma para não arrebentar o teclado na cabeça do interlocutor.

Para não dar a impressão que a coluna pretende apenas debochar do assunto, eu puxo o assunto do ponto de vista acadêmico, conforme li em um artigo muito interessante e elucidativo do portal Clicrbs ( www.clicrbs.com.br ). Na matéria, o site pergunta a alguns especialistas qual é o ponto de vista de professores e linguístas. Gabriel de Ávia Othero, autor do livro Língua Portuguesa nas Salas de Bate-Papo: Uma visão lingüística de nosso idioma na era digital, tem uma visão menos ortodoxa do caso. Para ele, as transformações são naturais, e não existe nada de errado nessa especilidade no idioma, e ainda comemora o fato de que, de qualquer maneira, as pessoas estão usando a língua escrita para se comunicar, e em tempo real. “ Tem que ser um poliglota na tua língua, isso é importante”, diz ele. “Tem alunos que escrevem internetês em redações. O meu caso, quando comecei a pesquisa para o livro na internet, era o contrário. Eu era um lingüista, que domina a norma culta, em um ambiente onde só se falava o internetês, e eu não entendia nada! Tive que me alfabetizar de novo”.

A respeito do fenômeno do miguxês, Othero entende que a alternância de caixa alta/caixa baixa e outros artifícios é uma forma de buscar uma identidade num grupo de pessoas. Para ele, a linguagem da Internet transcendeu a funcionalidade para uma questão de identidade cultural. “A língua demarca nossa identidade. Essa é a identidade do grupo de pessoas que mexe na internet. Os pais podem até querer acompanhar as conversar e às vezes não conseguir entender”, diz.

Já Sabrina Abreu, coordenadora-geral da correção das redações do vestibular da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), acha que o modismo do miguxês “não afeta a vida escolar dos alunos” e diz que nunca encontrou essa linguagem em provas. Porém, o internetês (abreviações, por exemplo), embora poucos, sempre aparecem. Ele explica que, desde 2006, existe uma pontuação específica a ser descontada em casos como esses. Sabrina revela que já leu pq ( porque ), vc ( você ), tb ( também ) e qq ( qualquer ) em textos escolares.

Embora haja restrições ao internetês, a professora explica que é contra qualquer tipo de censura à liberdade lingüística. “É uma forma de identidade entre os jovens, eles usam por um determinado período. O miguxês é mais usado por adolescentes. Se eles foram alfabetizados adequadamente e são bons leitores, não vejo problema algum. É como na infância, quando a gente tem uma linguagem infantil, que chamamos de “tatibitate”. Depois passa. Reprimir não é bom. A escola deve continuar fazendo seu papel, que é o de mostrar os diferentes níveis de linguagem, até para entender o português comparativamente. Claro que não se pode aceitar o miguxês numa prova, tem que saber o nível de linguagem a ser aplicado em cada momento”.

Se você acha que está por fora com essa onda de linguagem virtual, recomendo o site http://aurelio.net/web/miguxeitor.html . É um chiste, mas é um chiste espirituoso. Aqui, você pode transformar qualquer texto em bom Português clássico na curiosa linguagem “emo”. Veja como ficou o soneto “Sete Anos de Pastor”, de Luís de Camões.

 

7 AnuxXx dI PAStor...JacOB SErVIu LaBaum...PAi dI raKeu...serrAnaH BElAH

maxXx naUm ServIAh Au Pai...SeRVIaH A ElAH

I a ELah SOh por PrEmIU pReteNdIAh......

 

UxXx diaxXx nAH EsPERanXXAh Di 1 SOH DiaH

PAXXaVah konTentANu-si kUm ve-laH

poREm U paI UsAnU DI KAutElaH

EM luGAh dI RaKeu lHE DaVaH liaH......

 

VeNu U paStOR Ki kUM TaixXx enGANUxXx

LHe FORaH aXXIm nEgAdaH a sUah PastORah

KOmu si naUM tIveXXI MERecIdAh......

 

KOMEXXaVAH Di seRvi OTRuxXx 7 ANuxXx DIZenU:"+ sErViriAH...... sI naUm forah

PRAH TAUm loNgu amoR...TauM KURtah A vIDah......