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PARABÓLICA #4
PERIPÉCIAS DO COLUNISTA POR
CONTA DE UMA BANDA
Como esse que escreve neste espaço
ficou apaixonado por um dos principais grupos da década de
1990
por Luiz Pattoli (luiz@rabisco.com.br)
 il
novecentos e noventa e dois. Lembro-me apenas de algumas coisas
desse ano, comprei o Blood Sugar Sex Magik do Red Hot na recuperação
da oitava série, de ter ido à passeata dos “caras-pintadas”
e não saber voltar pra casa depois, da professora Neusa (matemática)
mandar eu tirar meu boné do Chicago Bulls durante as aulas,
das redações satíricas que eu e o Paulo André,
vulgo Sapão, fazíamos da nossa turma, do primeiro
furo na orelha e recordo ainda, de um show.
Era uma tarde qualquer, não consigo lembrar
qual dia da semana. Eu ainda não trabalhava, portanto, as
tardes eram dedicadas ao Vídeo Show e às conversas
com os colegas de bairro. Um deles, alguns anos mais velho que a
maioria, nos convidou para um show. Perguntei aonde era. Não
que isso fizesse diferença, mas a resposta me deixou curioso:
Aeroanta. Achei o nome engraçado e topei ir. Chegamos no
Largo da Batata, era noite, local inóspito para uma casa
noturna. A partir daí acho que meu cérebro apagou
alguns arquivos, pois, a única coisa que me recordo é
de algumas bandas muito estranhas tocando.
Mil novecentos e noventa e quatro. Estou com a família
de um amigo em Ubatuba. Vejo numa banca uma revista General com
uma fita-cassete com músicas do Beastie Boys, Breeders, Guru,
etc. Comprei na hora. Ao abrir a revista, vejo uma matéria
com um sujeito que me parece familiar. Sim, é Chico Science
o cara que eu vi dois anos antes no Aeroanta.
De lá pra cá, comecei a acompanhar
o movimento mangue, e faço um arquivo com reportagens sobre
os músicos de Pernambuco. Mas, foi a partir de 1999 que minha
compulsão aumentou, compro qualquer disco de artista pernambucano.
Dois mil e dois. Já estava irritado de não
encontrar o novo cd da Nação Zumbi, lançado
no início de outubro. Até que ganhei, numa promoção,
um encontro no estúdio com a galera da banda e, lá,
recebi o novo disco. Nas últimas colunas demonstrei dúvidas
sobre a qualidade do grupo. Mas, ao ouvir o Nação
Zumbi, nome do novo álbum, as dúvidas terminaram.
Os asseclas de Chico Science continuam firmes e fortes. Mais do
que isso, demonstraram que superaram a perda do amigo e não
perderam o tom. Desde Afrociberdelia eles não faziam um disco
tão “redondo”. Como já foi dito: “A
NZ é uma banda que reúne diversas bandas”. Força,
nação.
DECEPÇÃO
PREVISTA
Como eu previa a revista da MTV fez uma matéria panfletária
sobre a pirataria (capa da última edição).
Defendendo com unhas e dentes o ponto de vista das gravadoras, a
matéria não falou em nenhum momento os motivos da
pirataria, o por que de uma pessoa optar pelo disco “genérico”.
Belo exemplo do quanto o jornalismo pode ser tendencioso. Não
vejo mal em defender um determinado ponto de vista, mas deixar de
mostrar algo tão elementar é falta grave.
BOA INICIATIVA
A revista Continente Multicultural, editada em Recife e
uma das melhores revistas culturais do país, vai fazer, em
janeiro, uma edição especial sobre o carnaval pernambucano.
Junto, virá encartado o novo disco de Silvério Pessoa,
Micróbio do Frevo.
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