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31 de outubro a 13 de novembro de 2002



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PARABÓLICA #4

PERIPÉCIAS DO COLUNISTA POR CONTA DE UMA BANDA
Como esse que escreve neste espaço ficou apaixonado por um dos principais grupos da década de 1990

por Luiz Pattoli (luiz@rabisco.com.br)

il novecentos e noventa e dois. Lembro-me apenas de algumas coisas desse ano, comprei o Blood Sugar Sex Magik do Red Hot na recuperação da oitava série, de ter ido à passeata dos “caras-pintadas” e não saber voltar pra casa depois, da professora Neusa (matemática) mandar eu tirar meu boné do Chicago Bulls durante as aulas, das redações satíricas que eu e o Paulo André, vulgo Sapão, fazíamos da nossa turma, do primeiro furo na orelha e recordo ainda, de um show.

Era uma tarde qualquer, não consigo lembrar qual dia da semana. Eu ainda não trabalhava, portanto, as tardes eram dedicadas ao Vídeo Show e às conversas com os colegas de bairro. Um deles, alguns anos mais velho que a maioria, nos convidou para um show. Perguntei aonde era. Não que isso fizesse diferença, mas a resposta me deixou curioso: Aeroanta. Achei o nome engraçado e topei ir. Chegamos no Largo da Batata, era noite, local inóspito para uma casa noturna. A partir daí acho que meu cérebro apagou alguns arquivos, pois, a única coisa que me recordo é de algumas bandas muito estranhas tocando.

Mil novecentos e noventa e quatro. Estou com a família de um amigo em Ubatuba. Vejo numa banca uma revista General com uma fita-cassete com músicas do Beastie Boys, Breeders, Guru, etc. Comprei na hora. Ao abrir a revista, vejo uma matéria com um sujeito que me parece familiar. Sim, é Chico Science o cara que eu vi dois anos antes no Aeroanta.

De lá pra cá, comecei a acompanhar o movimento mangue, e faço um arquivo com reportagens sobre os músicos de Pernambuco. Mas, foi a partir de 1999 que minha compulsão aumentou, compro qualquer disco de artista pernambucano.

Dois mil e dois. Já estava irritado de não encontrar o novo cd da Nação Zumbi, lançado no início de outubro. Até que ganhei, numa promoção, um encontro no estúdio com a galera da banda e, lá, recebi o novo disco. Nas últimas colunas demonstrei dúvidas sobre a qualidade do grupo. Mas, ao ouvir o Nação Zumbi, nome do novo álbum, as dúvidas terminaram. Os asseclas de Chico Science continuam firmes e fortes. Mais do que isso, demonstraram que superaram a perda do amigo e não perderam o tom. Desde Afrociberdelia eles não faziam um disco tão “redondo”. Como já foi dito: “A NZ é uma banda que reúne diversas bandas”. Força, nação.

DECEPÇÃO PREVISTA
Como eu previa a revista da MTV fez uma matéria panfletária sobre a pirataria (capa da última edição). Defendendo com unhas e dentes o ponto de vista das gravadoras, a matéria não falou em nenhum momento os motivos da pirataria, o por que de uma pessoa optar pelo disco “genérico”. Belo exemplo do quanto o jornalismo pode ser tendencioso. Não vejo mal em defender um determinado ponto de vista, mas deixar de mostrar algo tão elementar é falta grave.

BOA INICIATIVA
A revista Continente Multicultural, editada em Recife e uma das melhores revistas culturais do país, vai fazer, em janeiro, uma edição especial sobre o carnaval pernambucano. Junto, virá encartado o novo disco de Silvério Pessoa, Micróbio do Frevo.