| PARABÓLICA #16
VÁ ASSISTIR MATRIX
Reloaded, o blockbuster
do ano, é um filme com falhas, mas é impossível
não vê-lo nos cinemas
por Luiz Pattoli (luiz@rabisco.com.br)
primeiro Matrix não me chamou atenção.
Pra você ter uma idéia, eu nem fui ver no cinema. Assisti
em vídeo depois de muita insistência de uma amiga.
Lembro-me como se fosse hoje das palavras dela, carregadas de sotaque
baiano, no laboratório de computação: “Vá
assistir, você vai gostar. Tenho certeza de que vai gostar”.
Gostei mesmo. Não me tornei um obcecado, mas, sem dúvida
entrou para a lista dos meus filmes favoritos. O máximo que
fiz foi comprar o DVD. A discussão filosófica combinada
com feitos especiais fantásticos fizeram da película
dos irmãos Wachowski um verdadeiro objeto de culto. E está
sendo um verdadeiro culto, para milhões de fãs ou
não, a ida ao cinema para ver o tão esperado Matrix
Reloaded. Tornou-se praticamente impossível fugir desse
bicho-papão. Sempre que vejo algo sobre Matrix na
TV, no rádio, na internet, nas revistas, lembro-me da música
dos Pokémons: “Temos que pegar, temos que pegar”.
Já me pegaram.
Reloaded tem muito mais efeitos do que
o primeiro. O efeito chamado “tempo de bala” parece
ter chegado pra ficar, a partir de agora a técnica deve ser
copiada à exaustão na maioria dos filmes de ação.
Para quem não sabe, esta técnica é aquela em
que a cena é praticamente paralisada e a câmera gira
em torno do personagem. Um exemplo ocorre quando Neo enfrenta a
centena de agentes Smith - que, juntamente com a cena da perseguição
de carros, é a mais emocionante do filme. Como não
conseguiram uma rodovia para gravar a perseguição,
a dupla de diretores construiu uma.
Porém, o grande defeito de Matrix Reloaded
é a falta de conteúdo. Enquanto, Matrix soube
equilibrar-se entre a pancadaria desenfreada e a base filosófica,
Reloaded exagera nos efeitos e nas porradas.
Você leu este texto até aqui certo?
Provavelmente você teve a impressão de já ter
lido tudo isso. E por que então leu mais um texto sobre Matrix?
É incrível e, ao mesmo tempo absurda a quantidade
de informações sobre o longa-metragem que estão
metralhando em cima de nós. Sim, eu sei que o papel da indústria
cinematográfica é fazer com que o máximo de
pessoas possível assista e compre produtos sobre o filme.
Mas, ao meu ver, a mídia extrapolou muito desta vez. Todos
os dias há pelo menos um programa que mostra cenas do filme,
a cada dia chega uma revista nova nas bancas com Keanu Reeves na
capa. É irritante. Eu ainda não assisti. Toda segunda-feira
alguém me pergunta se eu fui ao cinema ver o filme. É
quase assim: “Bom dia, já foi ver Matrix Reloaded?”
Vá assistir e me deixe em paz. Eu vou ver e prometo não
encher ninguém com isso. Aliás, você sabia que
na próxima seqüência uma pessoa irá ressuscitar,
ou melhor, será recriada via robótica?
TÚMULO DO SAMBA
“Nas Rodas de Sampa”. Esse é
o título do trabalho de conclusão de curso de uns
jornalistas colegas meus. Trata-se de um vídeo-documentário
sobre a nova geração de sambistas de São Paulo.
Para isso, eles entrevistaram ao longo de 2002 diversas pessoas
ligadas ao mundo do samba paulista. Um trabalho primoroso, seja
pelo ineditismo, seja pela qualidade final. Quem tiver interesse
em adquirir uma fita é só contatá-los pelo
e-mail: rodasdesamba@yahoo.com.br.
MLSA
Já está disponível na internet
o novo single do mundo livre s/a. Chama-se “O Outro Mundo
de Xicão Xucuru” e pode ser baixado no site www.trama.com.br.
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