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21 de julho a 3 de agosto de 2003



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PARABÓLICA #18

FOLIAS JUNINAS
O assunto pode parecer tardio, mas nunca é tarde pra falar da cultura brasileira. Eu adoro festa junina!

por Luiz Pattoli (luiz@rabisco.com.br)

osto muito de Festa Junina. Tanto quanto o carnaval.

Pensando bem, o Brasil é o país da festa junina e não do carnaval. Veja bem: nem mesmo durante o carnaval existem tantos focos de animação quanto no mês de junho. Ruas, igrejas, escolas, trens, clubes, bares, restaurantes, empresas, todos abrem espaço para a decoração de bandeirinhas e para as comidas típicas. É difícil não resistir a uma paçoca, doce de abóbora, quentão, canjica, milho-verde, etc.

Há também a quadrilha. Também chamada de “caipira” ou de “matuta”, é a dança mais comum das festas juninas. Surgiu em Paris no século XVIII, tendo como origem a contredanse française, que por sua vez é uma adaptação da country dance inglesa, segundo os estudos de Maria Amália Giffoni.

A quadrilha foi introduzida no Brasil durante a Regência e fez bastante sucesso nos salões brasileiros do século XIX, principalmente no Rio de Janeiro, sede da Corte. Depois desceu as escadarias do palácio e caiu no gosto do povo, que modificou suas evoluções básicas e introduziu outras, alterando inclusive a música.

A sanfona, o triângulo e a zabumba são os instrumentos musicais que em geral acompanham a quadrilha. Também são comuns a viola e o violão.

Mas, e a música? Tenho reparado que cada vez mais a música típica perde espaço para outros estilos durante as comemorações juninas. Acredito que não haja um brasileiro que não tenha escutado ou dançado uma quadrilha ao som de “Festa na Roça”, de Mário Zan. Ou que não tenha dançado ao som de um baião de Luiz Gonzaga.

Mário Zan logo cedo, recebeu o apelido “moleque da sanfona”. Italiano, radicado desde os quatro anos no Brasil, começou a tocar profissionalmente com 19 anos nas rádios Bandeirantes, Cultura, Record e Tupi. Na época, o compositor Capitão Furtado procurava um sanfoneiro para excursionar pelo interior paulista. Foi aí que sua carreira deslanchou. Em 1946, foi contratado pela RCA Victor, onde gravou mais de 300 discos 78 rpm e 40 LPs.

Maior responsável pela divulgação da música nordestina no resto do Brasil, Luiz Gonzaga nasceu na Fazenda Caiçara, em Exu (PE). Filho de um lavrador e sanfoneiro, desde criança ele se interessou pela sanfona de oito baixos do pai, a quem ajudava tocando zabumba e cantando em festas religiosas e forrós. Saiu de casa em 1930 para servir o exército como voluntário. Viajou pelo Brasil como corneteiro, recebendo baixa em 1939. Resolveu ficar no Rio de Janeiro, com uma sanfona recém-comprada. Na mesma época, percebeu a carência que os migrantes nordestinos tinham de ouvir sua própria música, e passou a tocar xaxados, baiões, chamegos e cocos com grande sucesso. Chegou a ir ao programa de calouros de Ary Barroso e tocou seu chamego "Vira e Mexe", com grande aprovação do público e do temível apresentador, que lhe deu nota máxima.
Em 1943 apresentou-se vestido a caráter como nordestino, com bastante êxito. Seu maior sucesso, "Asa Branca" (com Humberto Teixeira), foi gravado em 1947 e regravado inúmeras vezes por diversos artistas até hoje. Trabalhou na Rádio Nacional e até cerca de 1954 teve seu auge de popularidade, um sucesso avassalador que lançou a moda do baião e do acordeom, além de obrigar todas as prensas de sua gravadora, a RCA, a trabalhar para atender aos pedidos de seus discos. Depois disso, com a ascensão da bossa nova, se afastou um pouco dos palcos dos grandes centros e passou a se apresentar em cidades do interior, onde sempre continuou extremamente popular. Nos anos 70 e 80 foi voltando à cena, em muito graças às releituras de sua obra feitas por artistas como Geraldo Vandré, Caetano Veloso, Gilberto Gil, seu filho Gonzaguinha e Milton Nascimento. Morreu em 1989.

Atualmente, Dominguinhos, Mestre Ambrósio,Quinteto Violado, entre outros, dão vida ao som que anima as festas juninas. E, não consigo entender por que alguns organizadores cedem espaço para outros ritmos nas suas festas. A alegação mais comum é: “se tocarmos só forró, os jovens não vêm!”. Até quando vamos ter que nos render?