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11 a 25 junho de 2005
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RECENTEMENTE #80

GLAMOUR QUE NADA!
Tudo que você queria saber sobre as fofocas do Oscar mas dormiu durante a cerimônia antes de perguntar
por Marcel Nadale (mnadale@rabisco.com.br)

onforme prometi na quinzena anterior, esta edição da RecenteMente será dedicada às mais sugestivas, difamatórias, baixas e saborosas fofocas dos bastidores do Oscar – todas cortesia de The Big Show , o fantástico livro-reportagem de Steve Pond, articulista da revista Premiere , assunto do meu último texto. Divirtam-se.

• Em 2004, Steven Spielberg foi escalado para entregar o troféu de melhor filme. No ensaio geral, o falso envelope que o cineasta deveria ler concedia a vitória a O Senhor dos Anéis: O Retorno do Rei , o favorito absoluto desde que as indicações haviam sido anunciadas. Spielberg não se fez de rogado, suspirou fundo e quebrou o protocolo: ao menos naquele ensaio, fez questão de que o vencedor fosse Gata em Teto de Zinco Quente , o clássico com Elizabeth Taylor.

• Steve Pond investigou, investigou, mas não descobriu como foi que o decadente Steven Seagal conseguiu ser convocado repetidos anos para apresentar diversas categorias menores durante a cerimônia.

• Para o 71º Oscar, a Academia enviou a seus membros cédulas nas quais eles poderiam escolher as três cenas que consideravam mais importantes para a história do cinema. As 250 mais votadas seriam fundidas num clipe exibido durante o show. Cerca de 1700 profissionais responderam ao pleito. O ator Val Kilmer teve a moral de votar em três filmes seus – incluindo Batman Eternamente .

• Para atrair o público jovem, em 2004 a Academia testou “trailers” para promover a festa com três trilhas diferentes: “Hey Ya!”, de Outkast, “Get the Party Started”, da Pink, e “Hollywood”, da Madonna. Outkast foi o escolhido. O produtor do show disse que se a canção de Madonna fosse selecionada, ele se demitiria.

• Madonna, aliás, só tem uma rival no posto de “megera-mor do Oscar”: a diva Barbra Streisand. Os organizadores quiseram morrer quando, em 1997, as duas foram indicadas simultaneamente ao prêmio de melhor canção: uma por Evita e outra por O Espelho Tem Duas Faces . Para completar o pesadelo, a também atriz e cantora Courtney Love, do aclamado O Povo Contra Larry Flynt , deu um auê nos ensaios porque exigia declamar um poema erótico antes de revelar os vencedores da categoria de melhor maquiagem.

• Billy Crystal pode ser o anfitrião favorito da Academia e da maioria do público, mas o baixo escalão da produção do Oscar tem outro querido: Steve Martin. O comediante é considerado um verdadeiro cavalheiro nos extenuantes ensaios antes da apresentação final. Recusa motorista e dirige seu próprio carro; sabe sempre quando pode descansar e quando deve retornar ao palco, pois memoriza o roteiro; e abre votação entre os funcionários para escolher quais piadas deve utilizar em cena.

• Crystal também é muito admirado, dentro e fora do Oscar. Só seu carisma foi capaz de garantir que figuras polêmicas da história da cerimônia tirassem um sarro de si mesmas no tradicional clipe em que o comediante é inserido digitalmente nas cenas dos principais concorrentes da noite. No ano de O Paciente Inglês , Crystal descobria que o piloto do avião que sofria um acidente no filme era ninguém menos que David Letterman, o anfitrião fracassado do ano anterior. E, no ano de O Senhor dos Anéis: O Retorno do Rei , o documentarista Michael Moore aparecia em uma cena de batalha satirizando seu discurso anti-Bush da festa de 2003: “Esta é uma guerra fictícia! Que vergonha, hobbits! Que vergonha, todos vocês!”. Moore, então, morria esmagado por um mítico elefante, para alegria dos republicanos na platéia.

•  Por falar em republicanos: nem sempre as aparências enganam. Em mais de uma ocasião, The Big Show mostra que Arnold Schwarzenegger é mesmo praticamente iletrado em inglês.

•  Depois de ganhar o Oscar de filme estrangeiro por Tudo Sobre Minha Mãe , Pedro Almodóvar chamou num canto a produtora da festa, Lili Zanuck, e soltou os cachorros por ter tido seu discurso interrompido pela orquestra. Anos depois, o espanhol se retratou: venceu o prêmio de melhor roteiro original por Fale com Ela e fez um discurso discreto, dentro dos 45 segundos estipulados pelos organizadores.

•  Ainda sobre discursos: todo produtor os culpa por alongar a festa. Houve um ano em que Gil Cates prometeu uma TV de tela plana a quem agradecesse por menos tempo. Quem levou o mimo foi o holandês Michael Dudok de Wit, vencedor da categoria de curta-metragem de animação. Seu “obrigado” a três colegas e à Academia durou 18 segundos.

•  Entre os atores, um dos discursos curtos mais notórios foi o de Joe Pesci, eleito melhor coadjuvante por Os Bons Companheiros . Pesci só disse “obrigado” e se retirou não porque era “curto e grosso”, mas porque estava chocado com a vitória. Quando saiu de cena, desabou na coxia, repetindo “não acredito”, cheio de lágrimas com a respiração entrecortada. Houve quem achasse que ele estava enfartando.

•  Segundo Kevin Spacey, é por isso que a Academia mantém a tradição do vencedor do ano anterior entregar o troféu para o novo eleito: só um oscarizado pode entender o que se passa na cabeça de outro oscarizado naquele instante. Foi Spacey quem segurou Julia Roberts pelo braço após lhe dar a estatueta de melhor atriz por Erin Brockovich . Nos bastidores, a bocuda ficou tão transtornada que Spacey só imaginou um único remédio: usou sua notoriedade para conseguir clandestinamente, no bar, uma garrafa de champanhe. Aliás, sua não, de Julia Roberts. “Julia quer champanhe!”, exigiu o ator. O casal, então, brindou, e ela se acalmou.

•  Outra de Julia: a atriz não gosta de descer as escadas que usualmente decoram os cenários grandiosos da cerimônia. Ela ordena que sua entrada em cena seja sempre por um caminho plano.

• Das dez cerimônias acompanhadas por The Big Show , a festa que consagrou Titanic foi a de maior audiência, comprovando que o público só se interessa pela premiação quando já viu e aprova sumariamente os filmes indicados. Em contrapartida, as piores estatísticas pintaram em 1996 (ano de Fargo e O Paciente Inglês ) e em 2003 (ano de O Pianista e Chicago ).