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13 a 26 de março de 2003


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RECENTEMENTE #38

A SINA CRUEL DO CARECA DOURADO
Um conto de horror: uma inocente aspirante a estrela é enredada... na maldição do Oscar de melhor atriz coadjuvante!

por Marcel Nadale (marcel@rabisco.com.br)

 Brenda Fricker

ba! Ganhei um Oscar! Viva! Agora todas as portas de Hollywood se abrirão para mim! Serei reconhecida, elogiada e ficarei para sempre nos anais da indústria cinematográfica e na memória dos espectadores!”

Os pensamentos corriam pela mente hiperativa da ingênua Brenda Fricker, conforme ela erguia a longa cauda de seu vestido para subir, trêmula, os degraus que a levavam ao palco do Shrine Auditorium. Seu coração pulava de alegria e êxtase: havia recebido a honra máxima da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood, por seu trabalho como coadjuvante em Meu Pé Esquerdo. O ano era 1990, e Brenda podia ver todo seu futuro diante de si, no glamour ensurdecedor das palmas que recebia e na luz sempre brilhante dos holofotes que a cegavam.

Nos bastidores, porém, a felicidade de Brenda era engolfada pela escuridão dos dickensianos espíritos de Oscars passados. Como diabólicos fantasmas da ópera (só que vestindo Versace e Yves Saint Laurent - um luxo!), pairavam nas coxias os espectros lúgubres de Peggy Ashcroft, Linda Hunt, Maureen Stapleton e tantas outras. Empoeiradas, esquecidas, decadentes, o único prazer que experimentavam, apenas uma vez a cada ano, era saber que mais uma aspirante a estrela havia sido convocada para unir-se ao ostracismo de seu crescente séquito diabólico.

 Mercedes Ruehl

Desde o momento em que a pobre Brenda, com seu sorriso meigo digno de vítima de slasher-movie, depositou o Oscar na estante de sua casa, sua vida nunca mais foi a mesma. Empoleirado tal qual o corvo de Edgar Allan Poe, aquele malévolo careca dourado passou a irradiar secretamente os ditames da carreira de Brenda, em uma linguagem cifrada que aparentemente ela não conseguia compreender - mas que era claro e audível para todos os diretores, roteiristas e diretores de elenco de Tinseltown a Timboktu. Os anos seguiram-se com Brenda presa em um desesperador labirinto de papéis sem perspectiva, atuações solenemente ignoradas, audições perdidas e reservas em restaurantes da moda recusadas. Até que um dia, finalmente, com seu vestido rasgado, a maquiagem borrada e o cabelo desfigurado, Brenda caiu ao solo, em um choro de revolta à la “Nunca mais sentirei fome outra vez”, e rendeu-se à inexorável MALDIÇÃO DO OSCAR DA ATRIZ COADJUVANTE!!! Brenda Fricker juntou-se às colegas na coxia do Shrine Auditorium a tempo de comemorar, espiando pela fresta da cortina, a vitória de Mercedes Ruehl em 1992 por O Pescador de Ilusões.


  Anna Paquin

Hoje, Fricker e Ruehl aguardam ansiosamente a noite de 23 de março. Torcem para que a voluptuosa Catherine Zeta-Jones ou a roliça diva black Queen Latifah levem o prêmio de atriz coadjuvante. Enquanto Chicago não vem, elas encurtam o limbo especulando quanto tempo resta até que outras oscarizadas unam-se a elas. Marcia Gay Harden, vencedora há dois anos por Pollock, tenta uma sobrevida eclipsada pela beleza de Julia Roberts em Mona Lisa Smile, a ser lançado em dezembro... Talvez a próxima seja a pequena e promissora Anna Paquin... Seus dias de super-heroína na infindável franquia X-Men nem de longe lembram o valor dramático de O Piano... Marisa Tomei quase escapou com sua indicação (na mesma categoria!) por Entre Quatro Paredes... Mas, ei! Aquela ali não é a Mira Sorvino fechando contrato para Mutação 2?