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RECENTEMENTE #38
A SINA CRUEL DO CARECA DOURADO
Um conto de horror: uma inocente
aspirante a estrela é enredada... na maldição
do Oscar de melhor atriz coadjuvante!
por Marcel Nadale (marcel@rabisco.com.br)
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| Brenda Fricker |
ba!
Ganhei um Oscar! Viva! Agora todas as portas de Hollywood se abrirão
para mim! Serei reconhecida, elogiada e ficarei para sempre nos
anais da indústria cinematográfica e na memória
dos espectadores!”
Os pensamentos corriam pela mente hiperativa da ingênua
Brenda Fricker, conforme ela erguia a longa cauda de seu vestido
para subir, trêmula, os degraus que a levavam ao palco do
Shrine Auditorium. Seu coração pulava de alegria e
êxtase: havia recebido a honra máxima da Academia de
Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood, por
seu trabalho como coadjuvante em Meu Pé Esquerdo.
O ano era 1990, e Brenda podia ver todo seu futuro diante de si,
no glamour ensurdecedor das palmas que recebia e na luz sempre brilhante
dos holofotes que a cegavam.
Nos bastidores, porém, a felicidade de Brenda era engolfada
pela escuridão dos dickensianos espíritos de Oscars
passados. Como diabólicos fantasmas da ópera (só
que vestindo Versace e Yves Saint Laurent - um luxo!), pairavam
nas coxias os espectros lúgubres de Peggy Ashcroft, Linda
Hunt, Maureen Stapleton e tantas outras. Empoeiradas, esquecidas,
decadentes, o único prazer que experimentavam, apenas uma
vez a cada ano, era saber que mais uma aspirante a estrela havia
sido convocada para unir-se ao ostracismo de seu crescente séquito
diabólico.
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| Mercedes Ruehl |
Desde o momento em que a pobre Brenda, com seu sorriso
meigo digno de vítima de slasher-movie, depositou
o Oscar na estante de sua casa, sua vida nunca mais foi a mesma.
Empoleirado tal qual o corvo de Edgar Allan Poe, aquele malévolo
careca dourado passou a irradiar secretamente os ditames da carreira
de Brenda, em uma linguagem cifrada que aparentemente ela não
conseguia compreender - mas que era claro e audível para
todos os diretores, roteiristas e diretores de elenco de Tinseltown
a Timboktu. Os anos seguiram-se com Brenda presa em um desesperador
labirinto de papéis sem perspectiva, atuações
solenemente ignoradas, audições perdidas e reservas
em restaurantes da moda recusadas. Até que um dia, finalmente,
com seu vestido rasgado, a maquiagem borrada e o cabelo desfigurado,
Brenda caiu ao solo, em um choro de revolta à la “Nunca
mais sentirei fome outra vez”, e rendeu-se à inexorável
MALDIÇÃO DO OSCAR DA ATRIZ COADJUVANTE!!! Brenda Fricker
juntou-se às colegas na coxia do Shrine Auditorium a tempo
de comemorar, espiando pela fresta da cortina, a vitória
de Mercedes Ruehl em 1992 por O Pescador de Ilusões.
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| Anna Paquin |
Hoje, Fricker e Ruehl aguardam ansiosamente a noite
de 23 de março. Torcem para que a voluptuosa Catherine Zeta-Jones
ou a roliça diva black Queen Latifah levem o prêmio
de atriz coadjuvante. Enquanto Chicago não vem,
elas encurtam o limbo especulando quanto tempo resta até
que outras oscarizadas unam-se a elas. Marcia Gay Harden, vencedora
há dois anos por Pollock, tenta uma sobrevida eclipsada
pela beleza de Julia Roberts em Mona Lisa Smile, a ser
lançado em dezembro... Talvez a próxima seja a pequena
e promissora Anna Paquin... Seus dias de super-heroína na
infindável franquia X-Men nem de longe lembram o
valor dramático de O Piano... Marisa Tomei quase
escapou com sua indicação (na mesma categoria!) por
Entre Quatro Paredes... Mas, ei! Aquela ali não
é a Mira Sorvino fechando contrato para Mutação
2?
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